sou eu
fora de mim
(dentro de ti)
pedaço de nós,
pó de estrelas,
candência entrando-nos
em tua concha-fêmea.
Meu filho é um susto,
espelho,
águas espraiadas
nas quais miro-me:
(Narciso, aberço-me
ante tua figura,
filho incógnito,
imagem sibilina,
esfacelada
intensidades e filigranas).
Meu filho me (nos) nasce
sem rosto
(mas não é etéreo:
traçado está com minhas
[nossas] feições
comungadas
na alma, no corpo
[manancial da alma];
fruto de extremos
na tessitura da carne,
na leveza do plácido
na fugacidade do tempo
que baila sobre nós).
Meu filho
sou eu,
és tu.
És tu, amada
que é (somos),
pleno(s),
tácito(s),
implícito(s),
claro(s),
singelo(s),
criança(s),
atemporal(is),
extático(s),
magnético(s),
tímido(s),
túrgido(s),
mítico(s),
astral(is).
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