domingo, 2 de outubro de 2011

Meu filho

Meu filho

sou eu

fora de mim

(dentro de ti)

pedaço de nós,

pó de estrelas,

candência entrando-nos

em tua concha-fêmea.



Meu filho é um susto,

espelho,

águas espraiadas

nas quais miro-me:

(Narciso, aberço-me

ante tua figura,

filho incógnito,

imagem sibilina,

esfacelada

intensidades e filigranas).



Meu filho me (nos) nasce

sem rosto

(mas não é etéreo:

traçado está com minhas

[nossas] feições

comungadas

na alma, no corpo

[manancial da alma];

fruto de extremos

na tessitura da carne,

na leveza do plácido

na fugacidade do tempo

que baila sobre nós).



Meu filho

sou eu,

és tu.

És tu, amada

que é (somos),

pleno(s),

tácito(s),

implícito(s),

claro(s),

singelo(s),

criança(s),

atemporal(is),

extático(s),

magnético(s),

tímido(s),

túrgido(s),

mítico(s),

astral(is).


(Nós)

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