sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Abrasada

Quando bebia café muito quente e queimava a língua não se queixava: resignava-se com as coisas da vida, sempre acostumada, sempre mulher.

Até o dia que ele chegara cheirando a coisa nova, sensação de puro pecado, de doçura incrível com seus pêlos grossos no rosto, a palma da mão bem grande e uns olhos de menino pidão.

Deu-se.

Recebeu-lhe em si.

Daí por diante, antes de tomar café, sempre bem pelando, dava umas sopradinhas e dizia satisfeita “êta vida besta, meu Deus!”.

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