sábado, 1 de outubro de 2011

A galinha morta

Sábado de manhã e estou fazendo o almoço.

A galinha resfriada na gaveta da geladeira

já não se imagina_ nunca imaginou-se se bem verdade.

As melhores partes, já picadas e limpas; numa sacola à parte

cabeça, moela, pés e fígado. Ela me olha com seu olhar morto, pobre,

indigno. Estou com a faca na mão. Poder ou dor secreta.

Um certo desejo de fazer mal reprimido.

Furo os olhos que já não enxergam, espinico eles. Giro a lâmina,

desço até um inexistente pescoço, subo até a crista descorada, abro o bico:

grito dentro dele meu canto de ódio, a dor do ser; o desespoir de não ter um canto

que me faça esquecer uma outra dor.

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