A galinha resfriada na gaveta da geladeira
já não se imagina_ nunca imaginou-se se bem verdade.
As melhores partes, já picadas e limpas; numa sacola à parte
cabeça, moela, pés e fígado. Ela me olha com seu olhar morto, pobre,
indigno. Estou com a faca na mão. Poder ou dor secreta.
Um certo desejo de fazer mal reprimido.
Furo os olhos que já não enxergam, espinico eles. Giro a lâmina,
desço até um inexistente pescoço, subo até a crista descorada, abro o bico:
grito dentro dele meu canto de ódio, a dor do ser; o desespoir de não ter um canto
que me faça esquecer uma outra dor.
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